Sejamos Todos Feministas

 Resenha por Iasmin Campos 

Autor: Chimamanda Ngozi Adichie 

Editora: Companhia das Letras; 1ª edição (26 setembro 2014)

Número de Páginas: ‎ 37



Sinopse

O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo.
"A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."
Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. "Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: 'Você apoia o terrorismo!'". Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são "anti-africanas", que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma "feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens".
Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade.

FONTE: https://www.amazon.com.br/Sejamos-todos-feministas-Chimamanda-Adichie-ebook/dp/B00NXYVW4S


Resenha

Olá Caleidoscópios, como estão? Já que o pedido de vocês é uma ordem, viemos trazer hoje esse livro de volume único da escritora Chimamanda Ngozi Adichie !

Fizemos uma enquete lá no nosso instagram, se não nos segue está perdendo, corre lá é @caleidoscopio_literario, em que pedimos para votarem qual seria nossa próxima leitura e dentre os vencedores estava o livro que iremos falar hoje.

Antes de iniciar com o conteúdo, primeiro eu preciso mencionar que essa resenha é de cunho informativo e levantarei sim muitas coisas sobre o feminismo, pois é esse o intuito do livro. Além disso, como boa feminista que sou, assumo que pesquiso e compactuo com a maioria das causas do movimento. 

Porém, essa resenha não tem o interesse de polemizar ou criar discussões acaloradas sobre o assunto, pois o intuito do blog é dar nossa opinião sobre as obras que estamos lendo. Além do que,  eu não sou uma expert no tema, nem tenho conhecimento científico para abordá-lo profundamente, ainda mais considerando que a minha graduação é na área da saúde. 

Dito isso, vamos começar! Preciso dizer que esse livro é um transcrito da palestra da autora feita em 2012 na conferência focada na África, pois tudo que é dito ao longo dele, ela fala durante essa apresentação. Também preciso dizer que Chimamanda é da Nigéria e já podemos imaginar que a cultura do país em que nasceu é totalmente diferente da nossa em muitos quesitos.

Outro ponto que preciso falar é que como vocês podem ver, foi escrito em 2012, então naquela época não havia a consciência que temos hoje sobre identidade de gênero. Por isso, a autora fala sobre a diferença de sexo, ou seja, ligado aos órgãos genitais e por isso, irei relatar igual está no livro, mas nós temos ciência da importância da igualdade entre todos e da diferença de tratamentos não só por nós mulheres, bem como em toda a comunidade LGBTQIA+ e de todo preconceito e distinção feitos socialmente há todos.

Voltando ao livro, uma das diferenças é a questão do machismo mais enraizado socialmente, no sentido de que a mulher é sempre inferior ao homem e nossa autora ao longo do livro vai dando vários exemplos disso. Na Nigéria uma mulher não pode entrar em bares e restaurantes se não tiver acompanhada por um homem, sendo que não é nem cumprimentada pelo garçom que dirige a sua palavra somente ao sexo masculino.

Essa diferença no tratamento dos sexos é o assunto focal do livro, pois a autora vai nos contando, por meio de experiências tanto dela quanto de amigas próximas, para justificar as pautas que vem levantando ao longo do texto. Uma delas é que o feminismo é muito mal visto socialmente, exatamente por se ter a ideia de que foi feito para subjugar o sexo oposto, pois nós mulheres somos criadas para alimentar o ego frágil do homem e a partir do momento que não fazemos isso, eles deixem de ter a sua masculinidade. 

O problema da distinção de gênero é um assunto que ninguém quer falar, pois é algo que mexe com as pessoas, tanto que a maioria prefere colocar a culpa na cultura do país em vez de enxergar a causa em si. Nossa autora diz que somos nós, seres humanos, que fazemos as regras sociais e culturais, não o contrário, dessa forma os costumes podem, e devem, ser mudados ao longo do tempo, desmistificando a ideia de que o problema entre os sexos é cultural.

Sem contar que colocar a culpa na evolução da espécie também não justifica o que está acontecendo socialmente, já que nós somos seres racionais e pensantes. Assim, podemos ter vindo dos macacos, mas não somos eles, pois há diferenças muito gritantes entre ambas as espécies. 

Então, o livro lida bem com essa questão da sociedade beneficiar e colocar o homem como privilegiado, bem como da importância de nós, mulheres, vermos essa situação e procurarmos formas de mudar isso. Além disso, a autora nos conta que o feminismo é sim para todos, pois o significado da palavra é sobre igualdade de gênero e que deve ser uma luta não só das mulheres, mas também dos homens. Em que sentido isso ocorre? Como a diferença de gênero afeta tanto nós, mulheres? 

Essas perguntas e muitas outras eu vou deixar vocês lerem a parte dos spoilers para descobrir ou o livro, se preferirem!

Pessoas, esse ebook eu adquiri em uma promoção da Amazon e foi de graça, confesso que não me arrependi em nenhum momento de ter lido. Acho importantíssimo que todos leiam, pois é um tema extremamente atual e nos mostra claramente coisas que vemos acontecer todos os dias, mas que não tomamos consciência.

Não foi uma novidade para mim o que estava escrito, mas foi uma confirmação de tudo que nós, mulheres, passamos socialmente de uma forma muito clara, objetiva e com vários exemplos. Então é muito tranquilo de ler, não tem nada de termos difíceis ou linguagem rebuscada que você precisa ter um conhecimento prévio para entender, além de ser super pequeno e em poucos minutos dá para finalizar a leitura, é sério.

Recomendo demais que leiam, não só as mulheres, mas também os homens, para entender como a desigualdade de sexos é prejudicial para todos e como essa questão de distinção de gêneros afeta a sociedade como um todo. Sem contar a importância de difundir conhecimento, pois quanto mais pessoas sabem, maior é a força para lutar pela mudança.

Caso você vá parar de ler aqui, por causa do spoiler, não se esqueça de seguir a gente no Instagram (@caleidoscopio_literario) e deixar sua opinião nos comentários! É muito importante!

A PARTIR DESSE PONTO TEM SPOILER:

Se você não gosta, não leia!


Seguiremos respondendo as perguntas acima e darei spoilers para isso! 

A autora nos conta que desde muito pequena foi dita como feminista por seus pensamentos e discursos, mas também era devidamente desencorajada por pensar e ser dessa forma. Esse movimento, infelizmente, tem uma conotação bastante negativa, pois uma mulher feminista ainda é vista como  aquela que odeia os homens, não se depila, vive brava e de mal humor, entre outros estereótipos, só que isso nunca a afetou, pelo contrário, só serviu para encorajá-la.

 Podemos fazer um paralelo com a nossa realidade atual, pois ainda muitas pessoas acreditam que feministas são pessoas que odeiam os homens quando nós sabemos que na verdade não é isso. Nós somos um movimento que quer igualdade e que não sejamos colocadas em posições inferiores ao sexo masculino, ainda mais, porque mesmo sendo a maioria da população, cerca de 52% da população mundial é de mulheres (p.7), infelizmente, os cargos mais altos são ocupados por homens.

Chimamanda também nos conta que mesmo quando as mulheres ocupam os mesmos cargos, os homens recebem mais, pior é que isso ocorre simplesmente por serem “homens”, pois ambos os sexos têm currículo e formação iguais, eles ainda têm salários maiores. Isso não deveria ser ditado pelo sexo, já que hoje nós não usamos mais a força ou capacidade física para liderar, igual na era pré-histórica, e sim, o conhecimento e inteligência. Então por que os homens ainda ocupam os cargos de maior salário e poder?

Nossa autora diz que as diferenças também podem vir por meio da educação familiar, pois as mulheres foram criadas para serem bem quistas nos lugares que ocupam e não podem impor sua opinião, ser brava, pois precisamos agradar aos homens. Ou seja, fomos criadas para sermos lindas, delicadas, agradáveis e não nos impor perante aquilo que queremos ou não gostamos.

Já os homens têm a sua masculinidade sustentada por não ter medo, serem fortes, invulneráveis e provedores. Com isso, eles provam o quanto são másculos por meio do dinheiro, ou seja, adquirindo bens e pagando as coisas para as mulheres. Só que a partir do momento que nós conseguimos nos sustentar e nos bancar sem a necessidade do sexo oposto, toda a masculinidade deles acaba, isso não pode acontecer, pois fomos criadas para agradá-los e suprir esse ego frágil que eles possuem.

 Vocês conseguem compreender o tamanho do problema social que eu acabei de levantar? Minhas caras e meus caros, olha a sociedade tóxica aqui e o machismo enraizado que faz a submissão da mulher e deixa o homem ter o ego sustentado por dinheiro.

A autora ainda vai além, exemplificando isso, dizendo que nós não podemos ser bem sucedidas, pois ameaçamos o homem. Então precisamos almejar o casamento e nossas escolhas precisam ser pautadas para essa finalidade, mas estranho, por que o sexo masculino não precisa pensar e muito menos querer se casar?

Para nós decidirmos ficar solteiras ou estarmos mais velhas e ainda não termos nos casado tem um peso, um julgamento tão grande, e para eles esse assunto nem é levantado ou muito menos criticado, se os homens decidem que não querem entrar em um casamento, ninguém fala nada...

Sem contar na questão de que dentro do matrimônio quando uma mulher diz que precisa deixar de fazer algo em prol do cônjuge muitas vezes envolve não seguir seus sonhos ou abdicar da sua carreira. Porém quando é o inverso, os homens nunca vão deixar de trabalhar ou de ter uma carreira de sucesso a favor da família, salvo as raríssimas exceções. 

Então, nossa amada autora levanta algumas questões: e se passarmos a criar nossas crianças sem essa ideia de coisa de menino e de menina? Se o mais importante for o interesse de cada um deles ao invés da identidade de gênero? 

São perguntas que vou deixar vocês descobrirem por si só, lendo o livro, e digo que há milhares de exemplos sobre todos os pontos que eu levantei para confirmar tudo que foi dito até aqui.

Pessoas, como já disse, acredito que essa é uma leitura que todos devem fazer, pois a partir dela temos mais noção do que realmente é o foco do movimento feminista, que é a desigualdade de gênero em todos os âmbito sociais. Dentro disso, percebemos a importância do feminismo para tentar acabar com a superioridade masculina principalmente nos ambientes de maior poder.

Digo a vocês que eu saí dessa leitura reafirmando tudo o que já acreditava, pois são questões que todas nós, mulheres, já passamos uma vez na vida e vemos diariamente. Com isso, os exemplos que a autora nos dá são ótimos para entender melhor todo o conteúdo ao qual ela vem falando.

Não tive dificuldade nenhuma quanto à leitura, pois a linguagem que ela usa é muito simples e pautada nos acontecimentos cotidianos. Assim, o que a autora faz é levantar fatos que nós já vimos acontecer, interligando com várias questões voltadas para a sociedade, e mesmo sendo escrito em 2012 é algo extremamente atual.

Enfim, super indico lerem, independente da idade ou sexo, pois essa leitura consegue permear desde adolescentes a adultos e mostra bem a importância do feminismo alcançar todos os públicos.

Se você gostou dessa resenha, deixe um comentário com sua opinião (não custa nada)! Contem para nós se vocês também gostaram da leitura, deixe um ponto que não foi citado, se a resenha ajudou na leitura e essas coisas! 

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