O Lado Feio do Amor
Resenha por Bianca Ramos
Título Original: Ugly
Love
Autora: Colleen
Hoover
Tradução: Priscila
Catão
Editora Galera Record, 2015
– 1ª edição.
E-book, 364 páginas
Sinopse
“O maior best-seller de
Collen Hoover, autora das séries Slammed e Hopeless
Quando Tate Collins se muda
para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em
enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde
companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único
objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin,
sabe ser persuasivo… apesar da armadura emocional que usa para esconder um
passado de dor.
O que Miles e Tate sentem
não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não
conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem
perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um
relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se
apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o
desejo.”
FONTE: https://www.record.com.br/produto/o-lado-feio-do-amor/
Resenha
Oi Caleidoscópios!
Como vocês estão? Espero que estejam todos bem.
Como
hoje é dia de livro único, trouxemos para vocês: “O lado feio do amor”, escrito
pela amável e maravilhosa Colleen Hoover, que possui vários livros muito bons e
que vocês vão ver muitas vezes por aqui, só avisando! Virei fã mesmo!
“O
lado feio do amor”, especificamente, trata sobre a história de Tate Collins,
uma enfermeira de vinte e três anos que se mudou para São Francisco a fim de
fazer seu mestrado. No entanto, como ainda não possui um lugar para morar,
decide ficar no apartamento do irmão, Corbin, até juntar dinheiro suficiente
para ter seu próprio.
Seu
irmão é um piloto de avião, assim como o pai e o avô dela também eram, então
ele passa pouco tempo em casa, dando a personagem certa liberdade. A garota,
que acabou de chegar ao prédio faz uma estranha amizade com Cap, um idoso octogenário
que é responsável por controlar os elevadores, mas no primeiro dia, quando
chega ao apartamento de Corbin, depara-se com um homem bêbado em sua porta,
impedindo sua entrada.
Ligando
para Corbin, Tate descobre que se trata de Miles Archer, um piloto de avião,
vizinho de frente dos Collins e amigo de seu irmão. Assim, tendo em vista que o
irmão a pede para cuidar de homem jogado em sua porta, a enfermeira o abriga em
seu apartamento, deixando-o dormir no sofá até a bebedeira passar.
O
relacionamento entre eles, em um primeiro momento, é apenas cordial, mas ambos
sentem uma atração muito forte um pelo outro, e isso não é algo bem visto pelo
piloto de avião. Você deve estar se perguntando por que, afinal, são dois
adultos, solteiros, desimpedidos e maduros, qual seria o problema?
A
questão toda é que Miles é uma pessoa completamente fechada e retraída, que
carrega um passado um tanto quanto complicado e, por causa disso, decidiu que
não queria se envolver e nem amar ninguém. No entanto, este personagem não
consegue se livrar da atração que sente por Tate, ainda mais depois de beijar a
enfermeira em um dia de Ação de Graças, na casa da família dela.
Assim,
propõe a garota que eles façam sexo sem compromisso, para aliviar a atração e a
tensão entre ambos. Mas é sem nenhum compromisso mesmo, porque Miles deixa
claro que somente quer transar, mais nada, dizendo até que tem apenas duas
regras para isso: que ela não pergunte de seu passado e nem espere um futuro
dele.
Ou
seja, a receita pra dar tudo errado né? Será que isso foi para um caminho bom? Não
vou contar. Vou deixar vocês lerem o livro ou a parte com spoilers para saber!
Uma
coisa muito legal nesta obra é que temos os pontos de vistas dos dois
personagens principais: Tate e Miles, a primeira é narrada no presente, em uma
forma comum, como já estamos acostumados, enquanto o segundo é sobre o passado
do piloto, ocorrido há seis anos e é narrado como se fosse poesia!
Não,
não temos uma narrativa completamente poética com rimas e tudo mais, mas o
texto é todo centralizado e temos aquele lirismo fofo. O motivo disso é mais
legal ainda, mas não vou contar! Se quiser saber, confira na parte com spoiler
ou leia o livro (ou os dois)!
As
partes de Miles são bem pequenas, com capítulos mais curtos, mas mesmo assim é
muito interessante e te prende do mesmo jeito.
Na
verdade, o livro todo é bastante chamativo. Eu praticamente comecei e terminei
no mesmo dia, nem levei tanto tempo assim, foram cerca de seis horas, o que foi
ótimo. A narrativa é muito boa e muito delicada também, não é cheio de frases
de efeito e com aquelas mensagens motivacionais. Isso foi o que mais me ganhou,
confesso, pois detesto livros de romance irreais (a não se que eu queria me
iludir um pouco) e cheios de frases de efeito, porque me dá preguiça.
A
autora mostrou o amor como ele é, as pessoas como elas são, o lado bom e o lado
ruim, como tudo na vida. Os personagens são bem construídos, a história chama a
atenção – mesmo você querendo entrar dentro da trama para xingar Tate e Miles
algumas vezes – e o fechamento é muito bom, de verdade! A leitura compensa
muito, vocês não vão se arrepender de dedicar algumas horas do seu dia para
acompanhar essa trama.
Quer
saber mais sobre o livro? Você pode ler a história e também continuar a leitura
da resenha, na parte de spoilers!
Caso você vá
parar de ler aqui, por causa do spoiler, não se esqueça de seguir a gente no
Instagram (@caleidoscopio_literario) e deixar sua opinião nos comentários! É
muito importante!
AVISO!
A PARTIR DESTE PONTO CONTÉM SPOILER
Se
você não gosta, não continue!
Agora
começam os spoilers, se você é apressadinho e não leu o aviso acima, estou te
avisando de novo... A partir deste momento, teremos spoilers!
Bom,
na primeira parte eu já apresentei um pouco dos personagens principais para
vocês e até mesmo alguns secundários. Então, vamos dar continuidade!
Quando
Tate conhece Miles, percebe que ele está sofrendo por alguma coisa. Isso foi
porque o cara estava bêbado e caído no corredor? Não! Ela notou, pois quando
colocou o homem em seu sofá, para dormir, o piloto começou a chorar
desesperadamente e pedia perdão a “Rachel”.
No
capítulo seguinte conhecemos quem é Rachel, mas como sabemos que ela magoou
demais o nosso personagem principal, você já começa a procurar indícios que justifiquem
essa tese, mesmo sendo há seis anos antes, mas já adiando: você não vai
encontrar esses motivos. Eu gostei muito dessa personagem, principalmente mais
para o final do livro, então, não a odeiem, por favor, ela é inocente nessa
história (e Miles também).
Durante
o livro, temos dois arcos ao mesmo tempo, como eu disse antes: o primeiro é o
presente e conta a história de Miles e Tate, o segundo é seis anos antes, e
conta sobre piloto e Rachel, sendo que essa segunda parte tem alinhamento
centralizado e parece poesia.
Em
um primeiro momento, falando no presente, os personagens principais somente se
sentem atraídos um pelo outro, mas Miles fica correndo da protagonista e ela
nem sabe o motivo, pois somente tem conhecimento de um nome: Rachel. No
entanto, no dia de Ação de Graças,
enquanto a enfermeira sutura a mão do piloto, após ele ter se cortado ao
segurar uma escada e evitar que Corbin caísse, a atração deles fica insuportável
e os dois se beijam.
Pasmem,
foi o primeiro beijo de Miles em seis anos. SEIS ANOS. Sim, tanto que o irmão
de Tate até achava que o amigo era gay, porque nunca havia o visto com nenhuma
mulher e nunca comentava sobre o assunto. Sabemos que Archer não é homossexual,
pois beijou Tate, entretanto, por que o garoto ficou seis anos sem ficar com
ninguém? Eis a questão.
Eles
se beijam no banheiro e pouco depois do jantar, durante a madrugada, encontram-se
na cozinha, onde novamente surge um clima e então lá estão de novo, um com a
língua dentro da boca do outro. Para quem ficou seis anos sem beijar ninguém,
Miles quebrou sua regra duas vezes no mesmo dia e ainda tem mais: é nessa noite
que eles decidem iniciar o rolê do sexo sem compromisso.
Como
eu disse antes, na primeira parte, Miles deixa bem claro para Tate que não
consegue se apaixonar e que nem pretende tentar. Ela não pode perguntar nada
sobre o passado dele e nem espera um futuro com o rapaz.
Só
aí já dá para saber que a situação vai dar merda né? Porque Tate sente mais do
que atração por ele e por mais que fique negando, a gente sabe que não é bem
assim, estamos dentro da cabeça dela, conseguimos identificar quando um
personagem está tentando se enganar. Em contrapartida, temos acesso apenas aos
pensamentos do Miles jovem, de seis anos antes, com 18 anos de idade, então não
sabemos se existe a possibilidade de ele vir a amar a enfermeira.
Eles
iniciam essa jornada de sexo sem compromisso, mas vemos que Tate está cada vez
mais envolvida, e o próprio Miles vai se abrindo para a situações que não
condizem muito com a sua regra. No entanto, percebemos que realmente ele nunca
fala sobre o passado, mesmo que a enfermeira as vezes tente arrancar algo,
nosso protagonista evita dar esperanças de um futuro para a garota, ao mesmo
tempo que fica sentindo ciúmes, protegendo-a e sendo extremamente fofo.
Além
disso, nos pontos de vista dele, vemos o Miles de dezoito anos conhecendo
Rachel e a chamando para sair, na escola, acreditando que ela seja a mulher de
sua vida. Mas como isso é um livro, e a situação não pode ser bela assim, temos
um problema: a paixonite do adolescente é a filha da namorada de seu pai que se
mudou para a cidade deles.
Ou
seja, o “casos de família” está aí né, prontinho. O garoto está apaixonado pela
enteada do pai, e ela parece corresponder! Vocês acham que isso impede eles de
ficarem juntos?
Em
um primeiro momento, sim! Eles ficam chocados com a situação, mas decidem sair mesmo
assim, escondido dos pais, afinal, moram em casas separadas e não é como se
eles fossem irmãos e tivessem sido criados juntos. No entanto, quando o garoto
foi até a casa de Rachel, recebeu a informação de que a garota irá se mudar
para morar com ele e o pai, pois o relacionamento dos adultos não era tão
recente assim, na verdade, o Sr. Archer já estava com a mãe de Rachel há um
ano, antes da mãe de Miles falecer.
Sim,
aparentemente o pai de Miles estava traindo a mãe dele, mas fique tranquilo que
depois isso se resolve e entendemos bem o que estava acontecendo de verdade.
E
aí você pensa: Os jovens vão se separar e esse será o motivo de todo o amargor
de Miles, certo? Errado! Eles não se separam, mas estabelecem regras para que o
relacionamento seja “seguro”, pois em breve estarão na faculdade e não se verão
com frequência. Por isso, acreditam que pode continuar com a situação, com
tranquilidade, pois à distância os fará seguir em frente e o namoro dos pais
não parece ser tão sério assim.
Eis
as regras dos adolescentes: Nada de pegação quando eles [os pais] estiverem em
casa e nada de sexo. Isso porque sabem que a situação não vai durar, pois tem
somente seis meses antes de se afastarem por causa da faculdade, então tentam
não complicar as coisas.
Eles
conseguem seguir essa regra? Óbvio que não, pois são dois adolescentes com
hormônios saindo até do ouvido. Então, enquanto os pais estão viajando, os jovens
foram brincar de casinha e brincaram tanto que Rachel realmente virou mamãe e
Miles papai. Sim, a garota engravidou do filho de seu padrasto e adivinha só,
pouco tempo depois os pais deles decidem se casar.
Sim,
é uma situação digna de passar no SBT, no programa “Casos de Família”!
Enquanto
isso, no presente, Tate está cada vez mais envolvida por Miles, mas ele somente
lhe dá pequenas migalhas, e continua se afastando cada vez mais, buscando
somente sexo e mais nada. A situação é tão caótica que a Collins recorre à Cap
para desabafar, sempre que pode, enquanto o garoto lhe machuca com essa
resistência a relacionamentos, mas mesmo com isso, não consegue deixa-lo e
seguir sua vida, não abre mão do pouco que Miles lhe dá, e tem consciência de
que isso é problemático.
O
que vocês acham que aconteceu com o piloto para ele ficar assim? E o bebê de
Rachel? Será que Archer realmente cedeu a Tate ou a afastou cada vez mais?
Essas
são perguntas que você somente terá resposta se ler o livro, porque eu não vou
contar!
O
livro é excelente! Estou começando a achar que Colleen Hoover é uma das minhas
escritoras favoritas, porque todos os livros que li dela me marcaram de uma
forma muito especial.
Essa
história trouxe para mim duas mensagens muito importantes: a primeira é sobre
aceitar migalhas de um relacionamento. Tate sabe que é errado isso, ela é uma
mulher forte e consciente de seu papel, tem conhecimento de que seu
relacionamento com Miles não é saudável, mas mesmo assim não consegue abrir mão
disso, continua aceitando o pouco que ele lhe dá, enquanto se doa e coloca
esforços numa esperança de que a situação mude.
E
não, a culpa não é exclusiva do piloto. Ele não é um personagem escroto que
você consegue odiar ou achar ridículo, torcendo para se ferrar, pelo contrário,
você fica rezando realmente para que acorde e perceba o que está perdendo, que já
está apaixonado, mesmo se negando a acreditar nisso.
Miles
é um personagem fácil de gostar, muito mesmo. Eu o amei, porque realmente é uma
pessoa boa e é íntegro, mas detestei suas atitudes, principalmente quanto ao
relacionamento deles.
Sabemos
que mulher não muda homem, que nós não temos o poder de fazer com que eles se
transformem e sejam o que esperamos, pois não somos “clínica de reabilitação”
de ninguém. Isso porque nós não podemos assumir o papel de mães e professoras
de quem nos relacionamos, segundo porque é errado esperar que outra pessoa
supere ou se adeque a expectativas que você colocou nela.
Miles
foi transparente com Tate desde o princípio. Ele disse, claramente, que não
conseguia se apaixonar, não podia amar ninguém, sendo que se fossem fazer isso,
ela não poderia esperar nada além de sexo, porque não conseguiria evoluir
emocionalmente. Mas a enfermeira também não errou ao entrar no relacionamento
doido, porque a princípio não previu que se apaixonaria.
Acredito
que o erro seja quando Tate percebeu o que estava acontecendo, que estava cada
vez mais envolvida e apaixonada, e mesmo assim continuou aceitando as migalhas
e se iludindo. Mesmo que ela o amasse, o que sabemos que é verdade, não vale a
pena se perder para ajudar outra pessoa a se encontrar.
A
segunda mensagem muito importante deste livro é sobre o lado feio do amor. O
relacionamento dos protagonistas, bem como o namoro de Miles e Rachel, é longe
de ser perfeito, eles têm altos e baixos, situações que são ótimas e outras que
são péssimas, e sim, isso é bem realista.
Ninguém
é feliz 100% do tempo em um relacionamento, e amar machuca, porque você está se
doando para outra pessoa diferente de você. Esses casais de novela, de filmes e
até mesmo de alguns livros de romance que fazem tudo parecer um conto de fadas
são irreais, e o mesmo não podemos dizer de Miles e Tate.
Ambos
são pessoas com bagagem de vida. O piloto experimentou de perto a desilusão
amorosa mais dolorosa de todas, perdeu pessoas que amava na mesma época e não
teve tempo de se curar, enquanto a enfermeira sabia que não deveria colocar
suas esperanças em Miles e mesmo assim o fez, ambos viram o lado feio do amor,
mas também conseguiram enxergar o lado bom.
Isso
é com a nossa vida, não é mesmo? A gente vai vendo o lado feio e o lado bonito
do amor, vamos nos iludindo e desiludindo, aprendendo, e mesmo assim não
deixamos de amar. A verdade é que Miles viu o lado feio, e achou que aquilo não
valia a pena, enquanto que na verdade, se pensarmos assim, nada vai valer a
pena né? Tudo tem um lado bom e o lado ruim, não dá para ser 100% em tudo, as
coisas não vão ser totalmente boas e nem totalmente ruins, é uma grande onda de
erros e acertos.
Além
dessas mensagens super importantes, ainda temos a diagramação do livro, como eu
disse. Quando Miles está apaixonado, o alinhamento é centralizado e parece tudo
muito poético, e quando ele vê o lado feio do amor, a narrativa fica
justificada novamente, normal. E depois, quando ele volta a se apaixonar e ver
o lado bom, volta a ser centralizado.
Uma
coisa importante: o livro contém cenas de sexo, mas não são explícitas. É mais
sobre o que os personagens estão sentindo do que as ações praticadas. No
entanto, fica o aviso: se você for menor de idade ou tiver
algum gatilho com cenas desse tipo, não encare a leitura!
Enfim,
o livro é incrível e dá para ler muito rápido, ainda mais porque a leitura
prende bastante. Você consegue começar e terminar no mesmo dia, mesmo que tenha
uma velocidade de leitura mais lenta.
Vale
a pena ler, você vai se sentir tocado com a história, ao mesmo tempo que vai
sentir uma leveza na narrativa da trama, o que é raro em livros com essa carga
emocional. Leia, pois não irá se arrepender! Venha fazer parte do time de
amantes de Colleen Hoover, junto comigo!
Se
você gostou dessa resenha, deixe um comentário com sua opinião (não custa
nada)! Contem para nós se vocês também gostaram? Um ponto que não foi citado,
se a resenha ajudou na leitura e essas coisas!
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