Azul da Cor do Mar

 

Azul da Cor do Mar

 

Resenha por Bianca Ramos

Autora: Marina Carvalho

Novo Conceito Editora, 2014 – 1ª Impressão

Livro Físico, 335 páginas




 

Sinopse

 

“Acaso, Destino Ou Loucura? No caso de Rafaela, pode ser tudo isso junto. Para alguém como ela, nada é impossível.

Rafaela sonha desde a adolescência com o garoto que viu uma vez, perto do mar, carregando uma mochila xadrez... A ideia fixa não a impediu, porém, de ser uma menina alegre e muito decidida.

Ela quer ser jornalista, e seu sonho está se concretizando: Rafaela Vilas Boas (um nome tão imponente para alguém tão desajeitado) conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais. Mas, como estamos falando da Rafa, alguma coisa tinha que dar errado. O jornal é mesmo incrível, mas seu colega de trabalho, Bernardo, não é a pessoa mais simpática do mundo.

Em meio a reportagens arriscadas – e alguns tropeços –, Bernardo acaba percebendo, contra a sua vontade, que Rafaela leva jeito para a coisa... E que eles formam uma dupla de tirar o fôlego.

Mas e a mochila? E o garoto, o envelope, as cartas? Um dia a estabanada Rafaela vai ter que se libertar dessa obsessão.”

 

Resenha:

 

Oi caleidoscópios, como vocês então? Hoje é dia de resenha de livro volume único!

Dessa vez vamos falar sobre Azul da Cor do Mar, um romance escrito por Marina Carvalho. Esta autora é brasileira, nascida em Ponte Nova/MG, é jornalista e também é professora de língua portuguesa, além de ser apaixonada por livros desde sempre.

Este é o primeiro livro nacional que fazemos resenha! O legal dessa história é que ela é toda ambientada em Belo Horizonte, então os mineiros, como Iasmin e eu, conseguem reconhecer quase todos os pontos em que o enredo se desenrola, sem contar que o próprio livro é quase um guia turístico da cidade, ressaltando tudo que há de melhor na capital de Minas. Logo, se você não é mineiro, vai ficar com vontade de viajar para BH.

Confesso que esta é a segunda vez que li este livro, pois a primeira foi há uns cinco/seis anos, quando ainda era adolescente. Resolvi reler para fazer esta resenha por dois motivos: primeiro porquê queria uma desculpa para reler a obra e segundo porquê é um livro nacional de qualidade, logo, merece ser enaltecido (bem como toda a literatura brasileira! #leiaumnacional).

Este é mais um daqueles romances clichês água com açúcar que a gente ama. É um livro bem levinho mesmo, que dá para ler em um dia se você estiver bem animado, porque rende bastante. Para vocês terem ideia, eu fiz um cálculo pela calculadora de leitura do skoob e eu estava lendo oitenta e três páginas por hora, enquanto normalmente minha velocidade de leitura é de cinquenta/sessenta páginas por hora!

Não demorei nem cinco horas para concluir a leitura! Logo, dá para sentar e ler ele em um dia tranquilamente, mas não se sinta pressionado, caso não consiga. Iasmin gosta de dizer que sou “anormal” quanto a velocidade de leitura – o que não é verdade, diga-se de passagem.

Trata-se de um daqueles romances em que os personagens vão de “inimigos para amantes” que todo mundo gosta. O livro nos traz a história de Rafaela Vilas Boas, estudante de jornalismo da PUC Minas que consegue um estágio em um jornal famoso da cidade, mas o jornalista com quem vai trabalhar não é uma pessoa nada gentil e trata de tornar cada segundo do estágio dela em um pesadelo. Estamos falando de Bernardo Venturini, um dos melhores da equipe investigativa da Folha de Minas e um pedaço de mal caminho, diga-se de passagem.

Ah, um ponto importante sobre a nossa personagem principal que merece ser destacado, porque é muito importante para a história, é que quando tinha por volta dos onze anos “conheceu” um garoto na praia que usava uma mochila xadrez e ficou vidrada no tal menino, sendo que mesmo dez anos depois mantém um diário secreto em que guarda vários escritos sobre o garoto, como se estivesse conversando com ele.

Coloquei o “conheceu” entre aspas, porque ela nunca falou, de fato, com o garoto, somente o viu durante as férias, recordando-se que ele tinha profundos olhos azuis e usava uma mochila xadrez. Ou seja, “apaixonou” pelo menino, mas sequer sabe seu nome (quem nunca, não é mesmo?).

Assim, a história se passa com dois núcleos, o primeiro é relacionamento de cão e gato entre Rafa e Bernardo e, ao mesmo tempo, ficamos tentando descobrir quem é o tal garoto da mochila xadrez. Já adianto que temos alguns personagens de olho azul para nos confundirmos bastante!

A leitura, como eu já disse, rende bastante e como a história é bem fluida, passa bem rápido. Os diálogos são um pouco fantasiosos demais, bem daquele estilo “só acontecem em livro”, na verdade, sendo bem sincera, tem muitas coisas nesse enredo que só acontecem em livros e em filmes mesmo, porque na vida real... Pode até acontecer, mas a chance é mínima.

Não que isso retire o crédito da história, pois continua sendo boa e envolvente, mas leia tendo em mente que a nossa personagem principal, apesar de dizer que não é dramática, faz muito drama, se enrola toda e se enfia em casa situação que você fica pensando: “por que ela está fazendo isso?”. Dá para dar umas boas risadas lendo e dá até para esquentar o coração com o romance.

Se está em dúvida, a dica é ler! É daquelas leituras para terminar bem a semana e aquecer a alma, sem contar que dá para intercalar com livros mais pesados, para relaxar o cérebro.

Aviso: se você está procurando uma história profunda, este livro não é para você!

Confesso que aproveitei mais a leitura quando era adolescente do que agora que já sou adulta. Em diversos momentos, durante a segunda vez que estava lendo, fechei o livro e me perguntei o que Rafaela estava fazendo e se realmente uma pessoa de 21 anos, idade da personagem, faria isso. Asseguro a vocês que a Bianca de 21 anos de idade não faria!

É importante ressaltar que temos que ter em mente que este é um livro de ficção, então... Não tem compromisso nenhum com a realidade.

Caso você vá parar de ler aqui, por causa do spoiler, não se esqueça de seguir a gente no Instagram e deixar sua opinião nos comentários! É muito importante!

 

AVISO! A PARTIR DESTE PONTO CONTÉM SPOILER

Se você não gosta, não continue!

 

Agora começam os spoilers, se você é apressadinho e não leu o aviso acima, estou te avisando de novo... A partir deste momento, teremos spoilers!

Começo esta parte dizendo que se você tem alguma dúvida que Rafaela e Bernardo vão ficar juntos, você não foi iniciado devidamente nos romances “água com açúcar”. Recomendo voltar e ler, pelo menos, uns quatro livros do Nicholas Sparks para se tornar expert nesse assunto!

Assim que Rafa e Bernardo começam na relação cão e gato, já sabia que a nossa personagem não ia demorar a ficar apaixonada por ele. Não deu outra, na metade do livro todo mundo já tinha sacado que a estagiária estava caidinha pelo mentor, menos ela, que insistia em negar o óbvio.

Vou dizer que amo esses romances que a gente percebe que o personagem está apaixonado antes deles, principalmente quando ficam negando no estilo: “Eu? Apaixonada? Só porque fiquei uma página inteira divagando sobre o corpo e o perfume dele? Não! Jamais!”

Sim, Rafaela é deste tipo.

Então temos as interações dos nossos personagens principais, que ficam o tempo inteiro brigando e se provocando, enquanto está obvio que ambos querem mesmo é se pegar e, ao mesmo tempo, temos a evolução da personagem como jornalista. Acho que a autora acertou muito neste ponto, pois acredito que por ser da profissão, escreveu com propriedade sobre a rotina jornalística (não que eu saiba muito sobre a rotina também, porque sou do Direito), sem contar que alguns casos que Rafa e Bernardo são designados parecem muito com crimes midiáticos famosos, então... É bem legal!

Um personagem que devemos falar é sobre Maurício, que é um jornalista esportivo, e que entra na jogada para ser o terceiro elemento em um triângulo amoroso nada convincente. Como eu disse, desde o princípio era óbvio que Rafaela iria acabar ficando com Bernardo e então a personagem acaba usando Maurício como um step para provar a si mesma que não gosta do chefe.

Isso é errado, não se brinca com os sentimentos das pessoas dessa forma, cadê a responsabilidade afetiva?

Temos também que Rafaela é uma personagem um tanto quanto chatinha às vezes, fazendo um drama desnecessário e tempestades em copo d’água. A primeira vez que eu li, achei-a ótima, agora já a achei mimada e bastante egocêntrica, principalmente para a idade que a protagonista tem no livro. Algumas atitudes da personagem te fazem questionar o porquê de ela estar agindo como uma menina de quinze anos, em vez de uma mulher de vinte e um.

Há também algumas cenas bem estranhas neste livro. Umas coisas que, como eu disse, só acontecem em livro ou filmes água com açúcar.

Primeiro é o relacionamento dela com Bernardo, enquanto profissionais. O cara insinua várias vezes que Rafaela é lerda, manda-a acordar para a vida, fica provocando por causa dos saltos que a personagem usa e ama, além de ter zero confiança no trabalho que a garota faz.

Eu não sei vocês, mas se meu chefe me chamar de lerda, eu não aceitaria calada não, porque isso é errado e é considerado assédio moral, mesmo Rafaela sendo estagiária. O abuso não pode ser romantizado ou normalizado de forma alguma.

Outra coisa que temos é que em uma das cenas, eles estão voltando de uma coletiva de imprensa com um delegado de polícia, local em que Bernardo fez Rafa passar vergonha por não ter uma pergunta preparada e fazendo-a falar em público despreparada e, enquanto a personagem faz drama na janela do veículo, chorando, seu mentor simplesmente arranca a camisa, no carro da empresa, porque a malha estava a pinicando.

ONDE ISSO ACONTECE?

Imagine você, caro leitor, em um carro com seu chefe quando ele, do nada, arranca a camisa enquanto você chora por que passou vergonha e então, o chefe lhe dá a camisa para enxugar as lágrimas e explica que está seminu enquanto dirige porquê a malha pinica.

Eu dava um berro que escutariam lá na China, por mais que fossemos amigos. Que conduta profissional é essa? Onde um chefe arranca a camisa na frente da estagiária, no carro da empresa, porque a malha pinica e o pior: os dois não são amigos, ainda estão naquela de se detestarem e do tesão reprimido, logo... Bernardo não tinha liberdade nenhuma para fazer isso!

Para piorar, Rafaela não se importar com o fato de que o cara está sem camisa, dirigindo e fica divagando sobre o tanquinho dele.

Além disso, temos uma fatídica situação em que Rafaela se sequestra, porque só podemos definir isso deste modo. Bernardo e ela, bem no início do livro vão fazer uma entrevista com um traficante e acaba que a nossa estagiária até se solidariza pela história do criminoso, mas até aí tudo bem, porque ter empatia e entender a situação do outro é muito importante, mesmo que você não concorde com a conduta da pessoa.

No entanto, em determinado ponto do livro, este traficante, chamado Biju, entra em contato com Rafaela chamando-a para uma entrevista, dizendo que daria um furo, mas para isso teria que ir sozinha encontra-lo. Agora me diz, um traficante perigoso te manda uma mensagem no telefone te chamando para uma entrevista, faz a exigência que você vá sozinha, e você vai? Principalmente, você vai sem contactar ninguém do local em que você faz estágio, que deveria ser o primeiro a saber, já que você não é jornalista ainda?

A nossa personagem foi e quando chegou lá descobriu que estava sendo sequestrada, assim do nada mesmo, e nem ficou muito abalada com a situação. Digo isso, porque Biju deixou-a sob a mira de uma arma de fogo enquanto negociava com a polícia, mas no dia seguinte ao fato Rafaela foi trabalhar normalmente.

Digo por mim, se isso acontecesse comigo, certeza que ficaria uma semana em casa, trancada, com medo e depois ainda precisaria de ANOS de terapia.

Isso, meus amigos, só acontece em livro mesmo! E nos de ficção bem ficcional mesmo, porque não é possível que uma mulher de 21 anos receba uma mensagem dessas e vá!!!

Tudo bem que Rafaela avisou uma amiga para onde estava indo, mas o certo era nem ir ou mandar mensagem tentando mudar o contexto da entrevista, ainda mais sabendo que um dos braços direitos do bandido havia sido preso há pouco tempo.

Essas partes te fazem perguntar “por que Rafaela? Só me diga o por quê!”.

POR FAVOR, NÃO FAÇAM ESSE TIPO DE COISA! Não saiam sozinhos com uma pessoa que você não conhece sem avisar ninguém, principalmente a sua família, porque pode acontecer alguma coisa e ninguém vai saber como te encontrar! Então deixem alguém avisado onde você está indo e a pessoa que vai estar com você por precaução!

Isso é o MÍNIMO que devemos fazer não é mesmo? Ainda mais se você é mulher, porque aí o perigo é em dobro.

Sobre o mistério do garoto da mochila xadrez, não vou contar quem ele é, mas acho que todos vão descobrir bem rapidinho. Eu lembro que da primeira vez que li fiquei zero surpresa com a situação, porque é bem óbvio.

Então, como eu disse anteriormente, devo admitir que esta segunda leitura não foi tão agradável quanto a primeira e até mesmo achei a história bem bobinha, comparada a primeira experiência que tive com o livro e repito, não é porque a escrita é ruim, os personagens não são desenvolvidos ou a história não é chamativa.

É a velha questão da maturidade literária, que mencionei na resenha de Sol da Meia Noite. A Bianca de 17/18 anos amou esse livro, enquanto a Bianca de atualmente não achou tanta graça assim porquê está em outra vibe literária, gostando de outro tipo de narrativa, de enredo e de um outro estilo literário. Além de que estou mais adulta, portanto, consigo ver determinadas situações fora daquele olhar romântico.

Caso goste de livros água com açúcar, bem românticos mesmo, esta é uma leitura indicada. Já, caso você não se interesse muito por este gênero, não recomendo nem tentar, porque a história não vai te prender!

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